Houve um tempo em que o figurino de palco era apenas o reflexo das luzes. Hoje, ele é o próprio holofote. No cenário atual, a roupa não veste apenas o corpo do artista; ela veste o conceito da era. A transição do styling brasileiro para uma disciplina de estratégia de branding consolidou uma verdade absoluta: no pop, a imagem não acompanha a música — ela a antecipa.
A Desconstrução do Óbvio
O movimento que vemos hoje, liderado por mentes como Carol Goes, é uma ruptura com o óbvio. Se nos anos 90 o styling buscava a beleza comercial, em 2026 ele busca a identidade visceral. Nomes como Marina Sena e IZA utilizam a moda para subverter expectativas. O figurino tornou-se uma extensão da performance, onde cada costura precisa resistir à coreografia e cada textura precisa “ler” bem no sensor das câmeras 8K.
Essa evolução deve muito a pioneiros que entenderam a moda como ferramenta política e artística, como o legado de Zuzu Angel ou a sofisticação de Giovanni Bianco.
Da Passarela ao Pixel
O grande desafio da nova era é a fragmentação da tela. O styling precisa ser eficaz no telão de um festival para 100 mil pessoas e, simultaneamente, impactante no recorte vertical de um smartphone. Profissionais de elite dominam essa linguagem híbrida: o impacto do “grande plano” e a riqueza de detalhes do “macro”.
Ao trabalhar com estéticas como as de Luísa Sonza ou Anitta, o profissional de imagem atua como um semiólogo. Ele sabe que um acessório de metal frio comunica distância e poder, enquanto tecidos orgânicos sugerem uma vulnerabilidade calculada.
O Valor Incalculável da Estética Coesa
O mercado publicitário e as grandes maisons de luxo não buscam mais apenas rostos bonitos; buscam universos visuais sólidos. Quando Carol Goes leva sua expertise do show business para campanhas premiadas em Cannes, ela prova que o styling é o tecido conjuntivo entre a arte e o consumo.
O pop brasileiro amadureceu para entender que a consistência visual é o que transforma um artista em um ícone perene. A roupa deixou de ser ornamento para se tornar o manifesto de uma geração que entende a imagem como seu ativo mais valioso.

