Ultraprocessados podem afetar embriões e reduzir fertilidade masculina, indica pesquisa

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Ultraprocessados (Foto: Freepik)

Uma nova pesquisa da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, publicada na revista científica “Human Reproduction”, aponta que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados pode impactar negativamente o desenvolvimento do embrião e reduzir a fertilidade masculina. O estudo recente lança luz sobre os riscos associados a esses produtos, que vão além das preocupações já conhecidas com a saúde geral, destacando a necessidade de atenção à dieta para a saúde reprodutiva.

Os alimentos ultraprocessados são definidos pelo Guia Alimentar para a População Brasileira como “formulações industriais à base de ingredientes extraídos ou derivados de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, amido modificado) ou sintetizados em laboratório (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor, etc.)”. Exemplos comuns incluem bolachas, salgadinhos e refrigerantes. Embora já associados a um estilo de vida não saudável, ganho de peso, doenças crônicas e risco de câncer, a pesquisa agora expande o alerta para os prejuízos à fertilidade de homens e mulheres.

No caso das mulheres, a doutoranda Celine Lin, do Erasmus University Medical Center e primeira autora do estudo, detalha que o consumo desses produtos foi associado a um crescimento embrionário ligeiramente menor e a um tamanho reduzido do saco vitelino na sétima semana de gravidez. Embora essas diferenças no desenvolvimento inicial humano possam parecer pequenas, Celine Lin ressalta sua importância do ponto de vista da pesquisa e em nível populacional, indicando potenciais implicações para a saúde do bebê.

Para os homens, os resultados da pesquisa indicaram que um maior consumo de ultraprocessados esteve relacionado a um risco elevado de subfertilidade e a um tempo mais longo para a concepção. Essa constatação corrobora um estudo anterior, de 2025, que já havia alertado sobre como uma dieta rica nesses alimentos poderia afetar a produção e a qualidade do esperma. Diante desses achados, a pediatra Romy Gaillard, líder do estudo, enfatiza que “nossos achados sugerem que uma dieta com baixo teor de ultraprocessados seria melhor para ambos os parceiros, não apenas para sua própria saúde, mas também para as chances de gravidez e a saúde do bebê”.

A pesquisa analisou dados de 831 mulheres e 651 parceiros homens, participantes de um estudo populacional que acompanha os pais desde antes da concepção até a infância dos filhos. A dieta dos participantes foi avaliada por meio de questionários aplicados no início da gravidez, por volta de 12 semanas, revelando um consumo médio de ultraprocessados de 22% na dieta das mulheres e 25% na dos homens. O comprimento do embrião e o volume do saco vitelino foram monitorados por ultrassons transvaginais. Romy Gaillard destaca que este estudo é o primeiro a mostrar a associação entre o consumo de ultraprocessados em homens e mulheres com desfechos de fertilidade e o desenvolvimento humano inicial.

É importante notar que, por se tratar de um estudo observacional, ele estabelece associações e não uma relação direta de causa e efeito. Os pesquisadores, portanto, indicam a necessidade de mais investigações para replicar os achados em diferentes populações e explorar os mecanismos biológicos subjacentes a esses efeitos. Um dos objetivos futuros é compreender se as diferenças iniciais observadas têm consequências a longo prazo para o nascimento, crescimento e desenvolvimento das crianças, reforçando a ideia de que a saúde e o estilo de vida dos pais desempenham um papel fundamental no processo de fertilidade e no início da gestação.

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